“Você utiliza pedra, madeira e concreto, e com esses materiais constrói casas e palácios. Isso é construção. A engenhosidade está em ação.
Mas repentinamente, você toca o meu coração, me faz sentir bem. Estou feliz e digo: ‘Isso é bonito’. Isso é Arquitetura. A arte entra em ação.
Minha casa é prática. Agradeço-lhe como poderia agradecer aos engenheiros ferroviários ou ao serviço telefônico. Você não tocou o meu coração.
Mas suponhamos que as paredes se ergam em direção ao céu de tal maneira que fico emocionado. Eu percebo suas intenções. Seu estado de espírito foi gentil, brutal, encantador ou nobre. As pedras que ergueu me contam isso. Você atrai a minha atenção ao local e meus olhos o observam. Eles contemplam algo que expressa um pensamento. Um pensamento que se revela sem ma- deira ou som, mas tão somente por meio de formas que guardam uma certa relação entre si. Essas formas apre- sentam uma natureza tal que são claramente reveladas à luz. As relações entre elas não se referem necessaria- mente àquilo que é prático ou descritivo. São uma cria- ção matemática de nossa mente. São a linguagem da Arquitetura. Através do uso de materiais brutos, e par- tindo de condições mais ou menos utilitárias, você esta- beleceu certas relações que suscitaram as minhas emo- ções. Isso é Arquitetura.”
Le Corbusier Por uma Arquitetura 1927
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